Um notebook e o sonho de trabalhar no Google

12 de março de 2012 - 03:00


Édson Célio nunca soube o nome da senhora que lhe doou um computador. A sugestão da doação foi do professor Ricardo de Mesquita, da escola de Educação Profissionalizante Adriano Nobre, onde Édson estuda, em Itapagé, a 170 quilômetros de Fortaleza (CE). O professor resolveu tornar realidade o sonho do aluno esforçado que adorava o mundo online, mas que não tinha condições financeiras de comprar um computador. Um dia, Ricardo avisou aos colegas que era dia de surpresa para Édson e entregou o notebook quando ele entrou na sala-de-aula.

Édson não largou mais o notebook. “Desse dia em diante minha vida mudou beeem muito”. A família dele, que mora em uma casa de taipa no povoado de São Joaquim, zona rural do município, passou a ver o jovem mais comunicativo e requisitado pela vizinhança. “Quando eu chego no povoado, o meu sertão, está todo mundo me procurando e pedindo ajuda. É lotado”, narra. “Acho isso legal”, reconhece ele, driblando sua timidez.

Crianças buscam suporte para ampliar o rol de músicas nos seus pen drive, vizinhas pedem dicas de pesquisas escolares orientação ou querem orientações sobre como instalar os cabos dos micros recém-comprados para esperar o sinal de internet chegar a São Joaquim. “O Sertão sem internet estava pequeno para meu filho. Agora não está mais. Ele passa a semana lá na cidade e vem pra cá no sábado”, conta Ana Célia, de 36 anos, artesã e mãe do garoto, que deixou o filho passar alguns dias com a tia.

Édson Célio usa um sinal via modem, disponibilizado pela escola, cujo curso técnico ele concluiu no final do ano passado. Quando conecta o computador portátil, reencontra a turma e tira dúvidas on line com os amigos ou com o professor preferido, Jober Melo, de informática. “A gente precisa estar atento porque até o exame do Enem colocou as redes sociais como tema de redação”, justifica o jovem.

Ele conversa e brinca com os colegas via Facebook ou MSN, do mesmo jeito que muitos meninos da idade dele da capital. “Se não fosse a mulher, o professor e a escola, eu continuava na minha, sem pensar para frente”. Hoje, os pensamentos de Édson, que tem 16 anos, vão longe: “Meu sonho meeesssmo é trabalhar no Google. Pode demorar, mas posso conseguir”.

Veja o vídeo abaixo: