2ª Turma do Grupo de teatro Sementes da Arte da Escola do Campo Nazaré Flor
24 de abril de 2013 - 17:29
A Escola do Campo Nazaré Flor (Itapipoca), a equipe de Teatro e Cultura iniciaram as suas atividades. 12 jovens participaram : Dulia, Bibia, João, Lúcio, Matheus, Nana, Mayane,Vânia, Valdene,Adriel,Black e Camila. Conversou-se sobre o teatro do oprimido, como ele surgiu, sobre o grande dramartugo Augusto Boal, foi exibido um vídeo que fala sobre a metodologia do teatro do oprimido e foi preparado os corpos e vozes para dramatizar a poesia de Ademar Bogo e de Eduardo Galeno. Teatrando a vida esta turma está disposta – por meio da arte de representar no palco a contribuir com a juventude da Escola do Campo.
Invasão do Brasil
Dia da Invasão do Brasil pelos portugueses o Grupo de teatro Sementes da Arte da Escola do Campo dramatizou nas doze salas da escola a poesia de Ademar Bogo e Eduardo Galeano, provocando os educandos e educandas a repensarem esta data, afinal o que temos a comemorar? Que “descobrimento” é este? Onde nosso país fora somente invadido e sucateado por Portugal.
O grupo Sementes da Arte é composto por 13 educandos e educandas e também por ex- educandos da Escola do Campo.
poesias dramatizadas:
Que diremos aos nossos filhos?
Quando acabar a comida,
Quando acabar o trabalho,
E a esperança de vida?
Que os governantes são bons?
Que os policiais são amigos do povo? Que caixões de companheiros assassinados
São a vontade do Criador?
Se assim fizermos
Um dia faltará
Comida.
Já não terá esperança.
Nem nossos filhos com vida.
que diremos então?
Que tudo é dos senhores?
OS NINGUÉNS
As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a
pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte
a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanha, nem nunca,
nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e
mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o
ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e
mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, tem folclore.
Que não tem cara, tem braços.
Que não tem nome, tem numero.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas paginas policiais
da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.
(Eduardo Galeano)